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O Padre Educador e Abolicionista da Igreja Matriz


A foto que ilustra esta matéria mostra o Padre Francisco Gonçalves Barroso – Educador e Abolicionista – que foi vigário da Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de Porto Feliz no período de 1863 a 1873.


Francisco Gonçalves Barroso nasceu na Bahia em 1835 e, movido pelo espírito de fraternidade que o animou desde a infância, seguiu o caminho do sacerdócio ordenando-se padre pelo Seminário de Salvador no dia 14 de novembro de 1858. O Padre Barroso foi Capelão da Catedral da Bahia no ano de 1859 e, no início do ano de 1860 foi Capelão Interino da Casa de Correção e Vice-Reitor do Seminário Episcopal de São José na cidade do Rio de Janeiro.


O ilustre sacerdote chegou a Porto Feliz no final do ano de 1862 e em fevereiro de 1863 assumiu a responsabilidade pela Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens, passando a envidar seus esforços para a implantação de uma Instituição de Ensino especialmente destinada à orientação da população de escravos libertos.


As ações do Padre Barroso na cidade de Porto Feliz estão registradas nos compêndios históricos, com destaque para o trabalho desenvolvido na consecução das cartas de alforria para livrar os nossos irmãos do cativeiro. Nos dez anos (1863- 1873) que viveu em Porto Feliz à frente da Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens, o Vigário Gonçalves Barroso assinou o batismo e a liberdade de mais de quatrocentos escravos.


Se por um lado o padre chegou a criar certas inimizades com os fazendeiros por conta da sua proximidade com os escravos, por outro lado a fundação de um colégio conseguiu atrair os bons olhos da elite local. Por conta da sua atuação na área educativa o Padre Francisco Gonçalves Barroso foi homenageado nas páginas do jornal A Reforma” – Órgão Democrático da cidade do Rio de Janeiro pelo encerramento do ano letivo do Colégio Nossa Senhora Mãe dos Homens, fundado pelo vigário em 1871. Nesse colégio o Padre Barroso ensinava matemática, geografia, português, francês, latim e catecismo, de forma inteiramente gratuita, aos filhos dos escravos libertos.


O Vigário da Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens, Padre Francisco Gonçalves Barroso não evitava controvérsias. Fazia constantemente a publicação das suas matérias no jornal Diário de São Paulo, chamando os senhores de engenho de “bárbaros que libertam seus escravos, quando moribundos, para livrar-se de sustentá-los, não lhes pesando na consciência o mal que fazem.”


O vigário atendia também em um asilo na Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens aos escravos e idosos desamparados. No ano de 1886 Francisco Gonçalves Barroso apareceu como um dos fundadores da Sociedade Emancipadora 27 de Fevereiro ao lado de Luiz Gama e Antônio Bento. Foi em Porto Feliz – Terra das Monções –, todavia, que o Padre Barroso aguçou e viu florescer o seu espírito de educador e abolicionista. O ilustre vigário, cujas atividades transcenderam o simples sacerdócio, faleceu em 1890 aos 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, pouco depois da tão esperada Lei Áurea que extinguiu definitivamente a escravidão em território brasileiro. Essa é a bela história do Padre Francisco Gonçalves Barroso – Vigário da Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de Porto Feliz de 1863 a 1873. Foi Curador, Educador e Abolicionista.


Salve Terra das Monções / Tua gente varonil / Honrará tuas tradições / E a grandeza do Brasil!


Reinaldo Crocco Júnior é advogado, escritor, pesquisador e colaborador da TRIBUNA

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