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TRIBUNA DAS MONÇÕES: Um Patrimônio da Cidade

Historicamente, os jornais impressos começaram a proliferar no Brasil no século XIX, especialmente após a chegada da Família Real portuguesa em 1808. Essa chegada marcou o início de uma nova fase, liberando o país de muitas das leis e normas que mantinham sua condição de colônia desfavorável. Com a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, fugindo da invasão napoleônica, o país começou a galgar, passo a passo, a equiparação jurídica com a Metrópole europeia.


Muitos jornais, entretanto, foram efêmeros e sua curta vida se deve a vários motivos. Às vezes, perseguições de grupos de poder que não se coadunavam com as ideias expostas pelo editor do periódico. As condições econômicas e sociais – por exemplo, havia um número excessivo de analfabetos no Brasil — que dificultava a manutenção dos jornais. Outros, surgiam com o prazo de existência programado porque se tratavam de verdadeiros propagadores de ideias políticas e, muitas vezes, duravam apenas o ano eleitoral.


Em Sorocaba, por exemplo, na década de 1870 o empreendedor Luiz Matheus Maylasky, principal fundador da Estrada de Ferro Sorocabana, no afã de defender suas ideias de progresso e combater seus inimigos, homiziados em um jornal, mandou trazer um jornalista que se tornaria famoso escritor por escrever um romance ousado para a época, intitulado A Carne, e cujo nome era Júlio Ribeiro. Esse jornalista e escritor assumiu o jornal Gazeta Commercial em 1874 e, pouco depois da inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana, um ano depois, o jornal findou-se. Seu fim está ligado ao seu objetivo de nascimento que era defender a criação da Estrada de Ferro.


O primeiro jornal do interior de São Paulo, que se tem notícia, foi O Paulista, que durou apenas os meses em que ocorreu a Revolução Liberal de 1842 eclodida em Sorocaba sob o comando de Rafael Tobias de Aguiar e Diogo Feijó.


Em Porto Feliz o jornal impresso surgiu durante a República Velha. Em 1908 foi fundado O Araritaguaba, o primeiro jornal impresso da cidade. Era um jornal de oposição ao governo municipal e durou apenas um ano. Ainda em 1908, como resposta às críticas da oposição, surgiu o jornal O Porto Feliz.


O jornal TRIBUNA DAS MONÇÕES surgiu em outra época, no ano de 1955. Nesse momento, os jornais procuravam uma profissionalização maior e tinham certo compromisso com a informação. Não se pense em isenção ou neutralidade, coisas que não existem, mas sim numa abertura maior do que a crítica de oposição política.


Desde então é o jornal de maior circulação e inserção no público porto-felicense. É um patrimônio cultural — pois resiste como “velha mídia” defronte a inúmeras possibilidades dadas pelas mídias digitais e sociais — e um guardião de nossa História e Memória porquanto registra fatos e informações que servirão de fonte de pesquisa no futuro.


É um patrimônio que merece melhor atenção do porto-felicense. Afinal, são décadas de trabalho exaustivo na busca de atender aos anseios e demandas da população local. A TRIBUNA DAS MONÇÕES não é apenas um periódico, mas um legado vivo de Porto Feliz, enraizado na sua história e comprometido com a preservação da memória coletiva. Desde sua fundação em 1955, o jornal tem sido não apenas uma fonte de informação, mas um guardião incansável dos acontecimentos que moldaram a comunidade. Enquanto a mídia digital e as redes sociais ganham espaço, a TRIBUNA DAS MONÇÕES mantém-se como uma âncora da tradição, oferecendo uma perspectiva única e essencial sobre a vida local. É um patrimônio cultural inestimável que merece não apenas reconhecimento, mas também o apoio contínuo daqueles que valorizam a história e a identidade de Porto Feliz.


Ao celebrar a TRIBUNA DAS MONÇÕES, celebramos também a perseverança e a dedicação dos que o mantêm vivo. É mais do que um jornal; é um testemunho da resiliência de uma comunidade que encontrou nas suas páginas não apenas notícias, mas um reflexo de sua própria evolução. À medida que avançamos para o futuro, é essencial proteger e valorizar esse patrimônio, garantindo que continue a ser uma fonte valiosa para as gerações vindouras, preservando assim não apenas o passado, mas também as lições que ele nos oferece para o presente e o futuro de Porto Feliz.


Carlos Carvalho Cavalheiro é professor, mestre em educação, escritor, pesquisador e colaborador da TRIBUNA

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