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São Paulo já foi governado por um porto-felicense

Se alguém perguntar qual é o nome do governador de São Paulo que nasceu em Porto Feliz, possivelmente ninguém responderá. Porém, a antiga Província de São Paulo, hoje Estado, já teve um governador porto-felicense.


A obra “Galeria dos Presidentes de S. Paulo”, publicada por Eugênio Egas em 1922, em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil, registra que o 10º vice-presidente da Província governou por um curto período entre 22 de abril a 1º de junho de 1844, num intervalo entre o 16º e o 17º mandato de Presidente da Província. O nome desse porto-felicense era Joaquim José de Moraes e Abreu, conhecido como Brigadeiro Moraes e Abreu.


Diz a publicação, que traz alguns traços biográficos do político, que “JOAQUIM JOSÉ DE MORAES E ABREU, decimo vice-presidente da Província de São Paulo, exerceu as funcções, do seu elevado cargo desde 22 de abril a 1º de junho de 1844, tendo recebido o poder das mãos do 16º presidente Manoel Felizardo de Souza e Mello e entregue ao seu successor, o 17º presidente Manoel da Fonseca Lima e Silva, barão de Suruhy”.


Ainda de acordo com essa publicação que “O brigadeiro Moraes e Abreu nasceu em Porto Feliz, província de S. Paulo, filho legítimo de Francisco Corrêa de Moraes e Silva. Como seu pae, seguiu, a carreira das armas e tomou parte nas campanhas do sul, 1811 e 1817. Serviu como vereador da Capital (1837 a 1840), foi membro do Conselho Geral da Província, deputado provincial e vice-presidente da Província, cargo que desempenhou com elevado critério e app!auso de todos os paulistas. Falleceu em S. Paulo a 11 de dezembro de 1850”.


De acordo com a Wikipedia, Moraes e Abreu era do Partido Conservador. Naquela época havia dois Partidos: o Liberal e o Conservador, mas a diferença entre eles, basicamente, estava apenas no nome. Dizia-se, aquela época, que não havia nada mais conservador que um liberal no poder e vice-versa. Os tempos mudam, mas os homens demoram a mudar...


São Paulo também foi governado por um sorocabano, o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, que exerceu seu mandato de 14 de setembro de 1834 a 11 de maio de 1835. Num segundo mandato, governou de 6 de agosto de 1840 a 15 de julho de 1841. Em 1842, durante a Revolução Liberal, liderada por ele, foi aclamado presidente revolucionário de São Paulo. Mas esse foi apenas um título honorífico, extraoficial.


Isso demonstra o quanto o interior da Província, sobretudo da atual Região Metropolitana de Sorocaba, possuía uma forte influência política. Infelizmente, essa força foi sendo minada durante os séculos. Hoje, o interior paulista desta parte do Estado tem suas dificuldades em eleger um novo governador para o Estado.


Moraes e Abreu destacou-se também como militar. Assentou praça com 19 anos e alçou o posto de cadete em 1º de janeiro de 1809; alferes a 24 de junho do mesmo ano e tenente a 13 de maio de 1813. Tomou parte no ataque do A1córta; foi destacado para Salto, no Uruguay; esteve nos ataques dos Charrúas e Minuaneos em 12 de junho de 1813.


Já em 1826 detinha o posto de coronel depois de ter participado de inúmeras batalhas e campanhas militares como a Tomada do Forte de Santa Tereza (1816), a ocupação da cidade de Montevidéu (capital do Uruguai) em 1817, e como comandante da Legião dos Leais Paulistas, em 1822, na defesa do Brasil contra as forças de Portugal que pretendiam fazer retornar o Príncipe Regente Dom Pedro à força para a Europa.


Disso tudo se percebe que o brigadeiro Joaquim José de Moraes e Abreu era um homem de ação e de ideais.


Porto Feliz, berço do ilustre Joaquim José de Moraes e Abreu, torna-se uma peça fundamental na história política de São Paulo através da figura deste notável líder. Seu breve período como governador da província ressoa até os dias atuais, evidenciando a influência política e militar que ele exerceu. Moraes e Abreu não apenas ocupou cargos de destaque, mas também se destacou por sua dedicação às armas e aos ideais pelos quais lutou. Seu legado perdura não apenas nas páginas dos livros de história, mas também na memória daqueles que reconhecem sua contribuição para a construção do Estado de São Paulo. Assim, ao recordar os governantes que moldaram o curso da história paulista, é impossível ignorar o papel crucial desempenhado por esse filho de Porto Feliz.


Carlos Carvalho Cavalheiro é professor, mestre em educação, escritor, pesquisador e colaborador da TRIBUNA

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