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O Judas Político da Vila de Porto Feliz

Na época romântica e aristocrática do Brasil Imperial, a preferência político-partidária da pequena população da Vila de Porto Feliz se dividia entre as duas agremiações então existentes no País. Adeptos do Partido Liberal e do Partido Conservador defendiam suas diferenças partidárias que, embora não fossem grandes nem irreconciliáveis, separavam as opiniões dos munícipes.


A Vila de Porto Feliz era festiva, como bem sugere a sua denominação. Na queles saudosos tempos a Barra Funda, nosso bairro poético, era o palco preferi do dos cantores notívagos que, madrugada a dentro, soltavam suas vozes melodiosas nas serenatas apaixonadas, ao som das flautas e dos violões.


A festa do pau de sebo e da malhação do Judas que existiu na Barra Funda até as décadas de 1960/1970, teve origem, possivelmente, no ano de 1836 animada, por certo, pelo romantismo mágico dos instrumentos musicais habilmente manejados pelos nossos saudosos e consagrados músicos e maestros.


Por aquele tempo viveram na Vila de Porto Feliz dois políticos muito influentes: José Rodrigues Leite – Zuza – , militante extremado do Partido Liberal, daqueles que exibiam orgulhosos a gravata vermelha, distintivo do partido, e Joaquim Corrêa Leite – Seu Corrêa – defensor fervoroso da política desenvolvida pelo Partido Conservador.


Pois bem! Em um sábado de aleluia, Joaquim Corrêa Leite, que era adversário político e vizinho de José Rodrigues Leite, mandou pendurar durante a noite, fronteiro à casa O Judas Político da Vila de Porto Feliz dele, um Judas de gravata vermelha, distintivo dos liberais e, logo de manhã, pôs-se de espreita antegozando o desapontamento do adversário.





Quando Zuza, liberal extremado, abrindo a janela, deu com o Judas enfeitado com a gravata simbólica, voltando-se para o lado do vizinho que assomava sorridente, o vergastou incontinente: “Veja seu Corrêa! Nem Judas quer ser Conservador”! Essa é mais uma entre tantas histórias pitorescas que aconteceram na Barra Funda, o bairro poético de Porto Feliz!


Oh linda Terra de Araritaguaba / Das noites enluaradas / A reviver nas bandeiras / As tuas glórias passadas!


Reinaldo Crocco Júnior é advogado, escritor, pesquisador e colaborador da TRIBUNA

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